Thursday, March 18, 2010
Tuesday, February 23, 2010
Rigor
Existe uma variação considerável no que à compreensão e tradução da palavra rigor diz respeito; aparentemente, a incompreensão aumenta à medida que vamos descendo do hemisfério norte para o hemisfério sul, onde naturalmente, em certa altura da viagem, Portugal se encontra.
Esta incompreensão, para além de gerar os habituais atrasos, complicações e touradas, cria dentro dos elementos que compõem a sociedade - nós todos - uma relativa condescendência perante determinados fenómenos. Há vários exemplos.
Porque é que a velocidade limite nas auto-estradas é 120? Porque não 118, ou 110 ou 140?
Porque é que para um aluno ter positiva, normalmente, tem que ter 10 valores (numa escala de 0 a 20) e não 12, ou 9, ou 14, ou 6?
Porque é que para termos acesso ao nível mais alto - Gold - de um programa de milhas de uma companhia aérea, necessitamos de ter percorrido 70.000 milhas em 12 meses consecutivos?
A resposta reside na mesma razão de fundo, apesar das motivações serem diferentes de caso para caso: porque depois de se considerar os prós e os contras, decidiu-se que aquele valor era o mais sensato para definir como regra. Simples.
Nós, entre outros povos - nisto não somos únicos - consideramo-nos individualmente o expoente máximo da inteligência. Como tal, auto-determinamos que o limite de velocidade de 120km/h é uma parvoíce e aceleramos como se não houvesse amanhã. Um aluno que teve 9,4 valores de avaliação final, foi chumbado com 9 e como tal o professor é um crápula sem sentimentos. Tal como se percorrermos 69.500 milhas num ano, os ladrões da companhia aérea por umas míseras 500 milhas não atribuiram o estatuto Gold. Está tudo contra nós, a vida é uma merda e o mundo está virado do avesso (leiam a história deste simpático mundo há apenas 100 anos e verão o que era viver do avesso).
A falta de rigor, por si só penalizadora, conduziu a sociedade a um estado permanente de vilanização de todos os agentes que cumprem as regras. Inclusive, e no nosso caso em particular, entre a enxurrada patética de desculpas empregues para justificar o constante desmazelo, destaca-se provavelmente a mais descabida, o Estado Novo, enterrado há mais de trinta anos, mas ainda assim útil, para criticar todos os que optam pelo rigor.
Esta incompreensão, para além de gerar os habituais atrasos, complicações e touradas, cria dentro dos elementos que compõem a sociedade - nós todos - uma relativa condescendência perante determinados fenómenos. Há vários exemplos.
Porque é que a velocidade limite nas auto-estradas é 120? Porque não 118, ou 110 ou 140?
Porque é que para um aluno ter positiva, normalmente, tem que ter 10 valores (numa escala de 0 a 20) e não 12, ou 9, ou 14, ou 6?
Porque é que para termos acesso ao nível mais alto - Gold - de um programa de milhas de uma companhia aérea, necessitamos de ter percorrido 70.000 milhas em 12 meses consecutivos?
A resposta reside na mesma razão de fundo, apesar das motivações serem diferentes de caso para caso: porque depois de se considerar os prós e os contras, decidiu-se que aquele valor era o mais sensato para definir como regra. Simples.
Nós, entre outros povos - nisto não somos únicos - consideramo-nos individualmente o expoente máximo da inteligência. Como tal, auto-determinamos que o limite de velocidade de 120km/h é uma parvoíce e aceleramos como se não houvesse amanhã. Um aluno que teve 9,4 valores de avaliação final, foi chumbado com 9 e como tal o professor é um crápula sem sentimentos. Tal como se percorrermos 69.500 milhas num ano, os ladrões da companhia aérea por umas míseras 500 milhas não atribuiram o estatuto Gold. Está tudo contra nós, a vida é uma merda e o mundo está virado do avesso (leiam a história deste simpático mundo há apenas 100 anos e verão o que era viver do avesso).
A falta de rigor, por si só penalizadora, conduziu a sociedade a um estado permanente de vilanização de todos os agentes que cumprem as regras. Inclusive, e no nosso caso em particular, entre a enxurrada patética de desculpas empregues para justificar o constante desmazelo, destaca-se provavelmente a mais descabida, o Estado Novo, enterrado há mais de trinta anos, mas ainda assim útil, para criticar todos os que optam pelo rigor.
Monday, January 18, 2010
Petições
A democracia tem paradoxos interessantes, e antes de despejar a minha saraivada, volto a citar Churchill: "É o pior de todos os sistemas à excepção de todos os outros." Verdade pura.
Entrou - ou vai entrar - uma petição com não sei quantos mil assinantes para que se realize um referendo sobre o casamento gay. A esquerda unida, que jamais será vencida como noutros tempos, deliberou de forma graciosa, que muito bem, vamos analisar o pedido, mas adiantamos já, para que se evitem azias ou constipações intestinais de maior gravidade, que vamos chumbar o pedido em causa. Não se vai analisar porra nenhuma. Eu sou a favor do casamento gay, de qualquer forma, defendo o referendo, é uma questão que divide bastante a sociedade e que deve ter o nosso aval (só cinco ou seis países no mundo adoptaram esta legislação). O argumento bacoco do PS, que não é preciso referendo porque a alteração legislativa fazia parte do programa do partido, não é suficiente para justificar uma aprovação de lei via assembleia. É fácil entender que as pessoas que votaram PS nas últimas legislativas não o fizeram exclusivamente por causa da posição do PS sobre a matéria.
O poder ao povo, my ass.
Entrou - ou vai entrar - uma petição com não sei quantos mil assinantes para que se realize um referendo sobre o casamento gay. A esquerda unida, que jamais será vencida como noutros tempos, deliberou de forma graciosa, que muito bem, vamos analisar o pedido, mas adiantamos já, para que se evitem azias ou constipações intestinais de maior gravidade, que vamos chumbar o pedido em causa. Não se vai analisar porra nenhuma. Eu sou a favor do casamento gay, de qualquer forma, defendo o referendo, é uma questão que divide bastante a sociedade e que deve ter o nosso aval (só cinco ou seis países no mundo adoptaram esta legislação). O argumento bacoco do PS, que não é preciso referendo porque a alteração legislativa fazia parte do programa do partido, não é suficiente para justificar uma aprovação de lei via assembleia. É fácil entender que as pessoas que votaram PS nas últimas legislativas não o fizeram exclusivamente por causa da posição do PS sobre a matéria.
O poder ao povo, my ass.
Tuesday, January 5, 2010
Portugal i love you, but you're bringing me down
Roubei o título deste post a uma música de LCD Soundsystem e que ilustra na perfeição, o sentimento que tenho neste momento pelo meu País. Não que tenha viajado este mundo e o outro, mas dizia o outro, não há nada como a nossa terra e mesmo com todos os nossos defeitos, gosto deste cantinho, mais do que outro sítio qualquer.
Mas para viver na nossa terra, temos que o fazer com um mínimo aceitável, que no caso de alguns está muito bom, para outros nem por isso. Pessoalmente, pareço um gajo em desespero a remar, remar, sem sair do mesmo sítio. Uma metáfora bem simples, mas que tal como não haver nada como a nossa terra, também não há nada pior que remar sem sair do mesmo sítio. As notícias que têm surgido são devastadoras, não estando o adjectivo longe da verdade ou exagerado que seja. Já falei aqui sobre défice e endividamento externo, o fim de ano a coincidir com o fim de uma década, trouxe mais dados alarmantes.
O nosso poder de compra per capita desceu, tendo como referência o valor do ano 2000 ou seja, trabalha-se o mesmo, compra-se menos. E este ano os preços desceram por causa da crise internacional veja-se bem o descalabro. Não é que se viva na miséria generalizada, o país melhorou nos últimos 20 ou 30 anos (em km de auto-estrada e rotundas pelo menos), mas o objectivo é viver ao nível do resto da Europa, não retroceder (ambição, um quase crime capital neste país).
Fez-se um acordo que previa o aumento sucessivo do salário mínimo para 500 euros até 2011. A confederação do patronato diz que em 2010, pretende que o salário suba para 460 euros em vez dos 475 previstos. E faz-se mais contas. Chegou-se à conclusão que o salário mínimo actual, em proporção, é inferior ao praticado em 1974, ano da bendita revolução. Para ser igual ao de 74 deveria o salário mínimo ao dia de hoje, rondar os 568 euros. Pergunto eu, que raio de tecido empresarial temos nós, que paga salários mínimos equivalentes aos de 30 anos atrás? Quando se diz que o País evoluiu, alto e pára o baile, que muitas reticências há que colocar nesta insidiosa afirmação. A melhoria do nosso nível de vida esteve directamente relacionada com a enxurrada de fundos provenientes de Bruxelas, que beneficiaram alguns mas que nada de novo trouxe a outros. A vida do comum cidadão melhorou, mas numa medida indirecta, ou seja, sempre dependente do que os grandes interesses económicos definiram como benéfico para eles. As auto-estradas são provavelmente o melhor exemplo desta pescadinha de rabo na boca, toma lá conforto para andares a curtir de norte a sul, dá cá impostos que a coisa não é barata. E os planos para o País em vez de serem definidos pelo Estado, foram definidos por todos os que fizeram negócios com o Estado.
Que se pare dois minutos para pensar na questão do poder de compra e do salário mínimo e conclua-se com responsabilidade, o que se deve exigir dos políticos. A velha conversa de que são todos iguais e mal por mal, vota-se no do costume, tem uma consequência perigosa: não é mais do mesmo. Se assim fosse, os indicadores estagnavam. Mas suas excelências, têm tido a capacidade de fazer retroceder a qualidade generalizada do nível de vida. A capacidade está cá, contudo, mal aproveitada e ceifada por regulações que servem os interesses do costume. Business as usual, ao seu melhor nível.
Mas para viver na nossa terra, temos que o fazer com um mínimo aceitável, que no caso de alguns está muito bom, para outros nem por isso. Pessoalmente, pareço um gajo em desespero a remar, remar, sem sair do mesmo sítio. Uma metáfora bem simples, mas que tal como não haver nada como a nossa terra, também não há nada pior que remar sem sair do mesmo sítio. As notícias que têm surgido são devastadoras, não estando o adjectivo longe da verdade ou exagerado que seja. Já falei aqui sobre défice e endividamento externo, o fim de ano a coincidir com o fim de uma década, trouxe mais dados alarmantes.
O nosso poder de compra per capita desceu, tendo como referência o valor do ano 2000 ou seja, trabalha-se o mesmo, compra-se menos. E este ano os preços desceram por causa da crise internacional veja-se bem o descalabro. Não é que se viva na miséria generalizada, o país melhorou nos últimos 20 ou 30 anos (em km de auto-estrada e rotundas pelo menos), mas o objectivo é viver ao nível do resto da Europa, não retroceder (ambição, um quase crime capital neste país).
Fez-se um acordo que previa o aumento sucessivo do salário mínimo para 500 euros até 2011. A confederação do patronato diz que em 2010, pretende que o salário suba para 460 euros em vez dos 475 previstos. E faz-se mais contas. Chegou-se à conclusão que o salário mínimo actual, em proporção, é inferior ao praticado em 1974, ano da bendita revolução. Para ser igual ao de 74 deveria o salário mínimo ao dia de hoje, rondar os 568 euros. Pergunto eu, que raio de tecido empresarial temos nós, que paga salários mínimos equivalentes aos de 30 anos atrás? Quando se diz que o País evoluiu, alto e pára o baile, que muitas reticências há que colocar nesta insidiosa afirmação. A melhoria do nosso nível de vida esteve directamente relacionada com a enxurrada de fundos provenientes de Bruxelas, que beneficiaram alguns mas que nada de novo trouxe a outros. A vida do comum cidadão melhorou, mas numa medida indirecta, ou seja, sempre dependente do que os grandes interesses económicos definiram como benéfico para eles. As auto-estradas são provavelmente o melhor exemplo desta pescadinha de rabo na boca, toma lá conforto para andares a curtir de norte a sul, dá cá impostos que a coisa não é barata. E os planos para o País em vez de serem definidos pelo Estado, foram definidos por todos os que fizeram negócios com o Estado.
Que se pare dois minutos para pensar na questão do poder de compra e do salário mínimo e conclua-se com responsabilidade, o que se deve exigir dos políticos. A velha conversa de que são todos iguais e mal por mal, vota-se no do costume, tem uma consequência perigosa: não é mais do mesmo. Se assim fosse, os indicadores estagnavam. Mas suas excelências, têm tido a capacidade de fazer retroceder a qualidade generalizada do nível de vida. A capacidade está cá, contudo, mal aproveitada e ceifada por regulações que servem os interesses do costume. Business as usual, ao seu melhor nível.
Monday, December 14, 2009
Random Sentences - Colecção
A intraquilidade do relativismo, deve ser tudo, menos um susto para a nossa calma.
Um elitista cultural é um mainstreamer fora de prazo.
E se a tua vida não der um livro?
Só tem problemas, quem tem alternativas
Be nice: adopt a lobby.
Your zapping problems are over: buy a book.
Sleeping tonight and singing tomorrow: the closed cycle of amateurs.
Timeless efforts and syndicated criminals.
Writing is reading and reading is writing. And vice-versa.
Real crisis: being inteligent and act accordingly.
Pre-fabricated politics and controversial lap dancers.
This cant be love, because i feel so well
Things get tough when you think rough.
Stereotyped punks and avant-gard behaved boys.
Um elitista cultural é um mainstreamer fora de prazo.
E se a tua vida não der um livro?
Só tem problemas, quem tem alternativas
Be nice: adopt a lobby.
Your zapping problems are over: buy a book.
Sleeping tonight and singing tomorrow: the closed cycle of amateurs.
Timeless efforts and syndicated criminals.
Writing is reading and reading is writing. And vice-versa.
Real crisis: being inteligent and act accordingly.
Pre-fabricated politics and controversial lap dancers.
This cant be love, because i feel so well
Things get tough when you think rough.
Stereotyped punks and avant-gard behaved boys.
A idade da indiferença
Qual é a idade ideal?
Na infância queremos ser adolescentes, na adolescência queremos ser jovens adultos, na jovem idade adulta queremos ser adultos e realizar os nossos objectivos, em adultos vêm as crises dos 30's e dos 40's. Depois construímos alguma coisa (em teoria), e queremos voltar aos 20's. A terceira idade então não se fala. Acumulámos o conhecimento de uma vida. Com azar contamos os trocos para os medicamentos do colesterol e os dias para chegar o Natal (quando chega).
Porque é que fomos desenhados com esta percepção das idades? Apenas em pequenos intervalos nos sentimos bem com a idade que temos. E quando nos sentimos bem, há sempre um qualquer mentecapto a dizer que somos novos ou que somos velhos. E o que se perde neste processo? Acredito que em cada idade temos uma forma específica de estar e de pensar. Tendencialmente, ouve-se com mais atenção as pessoas com mais idade, do que as que têm menos. Associamos idade a experiência acumulada e desvalorizamos o que pensam os mais novos. Desperdiçam-se assim gerações de pensamento e ideias. E quanto é que custa uma ideia? Menos do que uma que não foi aproveitada.
O estado, do alto do seu poleiro, podia - e devia - legislar no sentido de oferecer uma aplicabilidade orientada para os resultados, envolvendo directamente os jovens nas decisões do país. Dar poder de decisão aos mais novos? Sim. Tal e qual. Não poder absoluto, mas equilibrar a balança nesse sentido. Sabendo que os aparelhos partidários detêm a exclusividade de quem deve ou não deve participar na vida política (e 80% ou mais das vezes enaltecem os traficantes de influência em vez daqueles que têm de facto valor), a dita legislação iria no sentido de impor uma quota mínima de jovens com assento parlamentar (tal como foi feito com as quotas mínimas para o sexo feminino). Desta forma, garantíamos a voz de uma faixa etária importantíssima na construção do País. Um pequeno exemplo, e curiosamente com 40 anos, a ida do homem à Lua. A média de idades dos engenheiros da NASA envolvidos no projecto era de 26 anos.
Argumentem o que quiserem.
Na infância queremos ser adolescentes, na adolescência queremos ser jovens adultos, na jovem idade adulta queremos ser adultos e realizar os nossos objectivos, em adultos vêm as crises dos 30's e dos 40's. Depois construímos alguma coisa (em teoria), e queremos voltar aos 20's. A terceira idade então não se fala. Acumulámos o conhecimento de uma vida. Com azar contamos os trocos para os medicamentos do colesterol e os dias para chegar o Natal (quando chega).
Porque é que fomos desenhados com esta percepção das idades? Apenas em pequenos intervalos nos sentimos bem com a idade que temos. E quando nos sentimos bem, há sempre um qualquer mentecapto a dizer que somos novos ou que somos velhos. E o que se perde neste processo? Acredito que em cada idade temos uma forma específica de estar e de pensar. Tendencialmente, ouve-se com mais atenção as pessoas com mais idade, do que as que têm menos. Associamos idade a experiência acumulada e desvalorizamos o que pensam os mais novos. Desperdiçam-se assim gerações de pensamento e ideias. E quanto é que custa uma ideia? Menos do que uma que não foi aproveitada.
O estado, do alto do seu poleiro, podia - e devia - legislar no sentido de oferecer uma aplicabilidade orientada para os resultados, envolvendo directamente os jovens nas decisões do país. Dar poder de decisão aos mais novos? Sim. Tal e qual. Não poder absoluto, mas equilibrar a balança nesse sentido. Sabendo que os aparelhos partidários detêm a exclusividade de quem deve ou não deve participar na vida política (e 80% ou mais das vezes enaltecem os traficantes de influência em vez daqueles que têm de facto valor), a dita legislação iria no sentido de impor uma quota mínima de jovens com assento parlamentar (tal como foi feito com as quotas mínimas para o sexo feminino). Desta forma, garantíamos a voz de uma faixa etária importantíssima na construção do País. Um pequeno exemplo, e curiosamente com 40 anos, a ida do homem à Lua. A média de idades dos engenheiros da NASA envolvidos no projecto era de 26 anos.
Argumentem o que quiserem.
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